Tutela Iure Sanguinis · Memória da imigração italianaBrasil · Itália · América do Sul · Estados Unidos
TUTELA IURE SANGUINISA Itália que nos habita
Tutela Iure Sanguinis · Revista 2016–2026

697 famílias com
o sonho realizado

Em dez anos de advocacia na Itália, Luiz Scarpelli acompanhou famílias brasileiras no reencontro com suas raízes italianas.

Advogado no Brasil e na Itália, Luiz Scarpelli esteve entre os primeiros a levar ao Tribunal de Roma, em 2018, as ações de reconhecimento da cidadania pela via judicial. Desde então, cada processo começou com uma certidão antiga e terminou com uma família que voltou a pertencer à terra dos seus antepassados.

A revista Famílias Italianas no Brasil reúne, em ordem alfabética, os sobrenomes dessas famílias: nomes do Vêneto, da Lombardia, do Trentino, da Calábria, da Campânia e de tantas outras regiões. Entre eles está o do próprio fundador, bisneto de Antônio Scarpelli, nascido em Celico em 1872.

Conheça a história
1874início da grande imigração italiana para o Brasil
≈1,5 miitalianos chegaram ao Brasil entre 1870 e 1920estimativas históricas
21/02Dia Nacional do Imigrante ItalianoLei nº 11.687/2008
≈30 mibrasileiros com ascendência italianaestimativas
A Grande Emigração

Um povo que partiu para recomeçar

Entre o fim do século XIX e as primeiras décadas do século XX, a Itália viveu a maior emigração da sua história.

A unificação italiana, concluída em 1871, não trouxe prosperidade ao campo. Pequenos agricultores do Vêneto, da Lombardia, do Trentino, da Campânia, da Calábria e da Sicília enfrentavam terras divididas até o limite, impostos pesados e colheitas incertas. Do outro lado do Atlântico, países jovens precisavam de braços para a lavoura, para as ferrovias e para as cidades que cresciam.

Milhões de famílias embarcaram em Gênova, Nápoles e Palermo com pouco mais que a roupa do corpo, a fé e o sobrenome. Levaram consigo receitas, dialetos, festas de padroeiros, o vinho e o hábito de reunir a família à mesa. Deixaram na Itália certidões de batismo que, mais de um século depois, se tornariam a chave para que seus bisnetos reencontrassem a própria origem.

Brasil

Do café paulista à serra gaúcha

Em São Paulo, os italianos substituíram a mão de obra escravizada nas fazendas de café e, depois, ergueram fábricas e bairros inteiros, como o Brás, a Mooca e o Bexiga. No Sul, fundaram colônias que viraram cidades, como Caxias do Sul, Bento Gonçalves e Garibaldi. No Espírito Santo e em Minas Gerais, abriram lavouras e comércios.

Argentina e Uruguai

O maior destino da América do Sul

A Argentina recebeu o maior contingente de italianos do continente. Em Buenos Aires, a influência está no sotaque, no lunfardo, no tango e nas cantinas de La Boca. O Uruguai também acolheu grandes levas, e Montevidéu guarda até hoje a marca de genoveses, piemonteses e calabreses.

Estados Unidos

A porta de Ellis Island

Milhões de italianos, sobretudo do Sul, desembarcaram em Nova York pela ilha de Ellis Island, aberta em 1892. Formaram as Little Italies de Nova York, Boston, Filadélfia e Chicago, e transformaram a pizza e o espresso em parte da cultura americana.

Linha do tempo

Do porto de Gênova à cidadania

Os marcos que ligam a travessia dos antepassados aos direitos dos descendentes.

  1. Roma, capital da Itália unida

    A unificação se completa, mas a crise no campo empurra milhões de italianos para a emigração.

  2. O vapor La Sofia chega a Vitória

    A Expedição Tabacchi traz famílias do Vêneto e do Trentino ao Espírito Santo, marco da grande imigração italiana para o Brasil.

  3. As colônias da serra gaúcha

    Imigrantes chegam às colônias Conde d'Eu, Dona Isabel e Campo dos Bugres, que dariam origem a Garibaldi, Bento Gonçalves e Caxias do Sul.

  4. A Hospedaria dos Imigrantes

    Inaugurada no Brás, em São Paulo, recebe os recém-chegados antes de seguirem para as fazendas. Hoje abriga o Museu da Imigração.

  5. O Decreto Prinetti

    Diante das más condições nas fazendas, a Itália proíbe a emigração subsidiada para o Brasil.

  6. Lei nº 555

    A Itália consolida a transmissão da cidadania pelo sangue, a iure sanguinis, de pais para filhos.

  7. Lei nº 91

    Nova lei de cidadania mantém o princípio do sangue e permite o reconhecimento a descendentes nascidos no exterior.

  8. Lei nº 74

    A conversão do Decreto-Lei 36/2025 restringe o reconhecimento por descendência e abre um novo capítulo nessa história.

Mãos que construíram o Brasil

Empresas nascidas de famílias italianas

Da indústria paulista às vinícolas da serra, sobrenomes italianos estão na história econômica do país.

SÃO PAULO · 1881

Matarazzo

Francesco Matarazzo, de Castellabate

Chegou ao Brasil em 1881 e construiu as Indústrias Reunidas F. Matarazzo, um dos maiores conglomerados industriais da América Latina na primeira metade do século XX.

SÃO PAULO · 1897

Cotonifício Crespi

Rodolfo Crespi

A grande tecelagem da Mooca empregou milhares de operários, muitos deles italianos, e ajudou a formar a identidade operária do bairro.

SÃO PAULO · 1929

Edifício Martinelli

Giuseppe Martinelli, de Lucca

Empreendedor toscano, ergueu o primeiro arranha-céu de São Paulo, símbolo da ambição de uma cidade que se tornava metrópole.

SÃO PAULO · 1902

Fasano

Vittorio Fasano

A cervejaria aberta no início do século XX deu origem a uma das marcas mais tradicionais da gastronomia e da hotelaria brasileiras.

RIO GRANDE DO SUL · 1911

Tramontina

Valentin Tramontina

Uma pequena ferraria em Carlos Barbosa, na serra gaúcha, tornou-se uma indústria presente em mais de cem países.

SÃO PAULO · 1952

Bauducco

Carlo Bauducco, de Turim

Trouxe do Piemonte a receita do panetone e transformou uma doceria no bairro do Brás em uma das maiores fabricantes do mundo.

RIO GRANDE DO SUL · 1910

Vinícola Salton

Família Salton

Filhos de imigrantes vênetos fundaram em Bento Gonçalves uma das vinícolas mais antigas do país em atividade.

RIO GRANDE DO SUL · 1897

Miolo

Família Miolo

Giuseppe Miolo chegou do Vêneto em 1897 e plantou as primeiras videiras no Vale dos Vinhedos. Seus descendentes criaram a vinícola que leva o nome da família.

RIO GRANDE DO SUL · 1949

Randon

Raul Randon

Descendente de italianos, começou com uma pequena oficina em Caxias do Sul e criou um dos maiores grupos de implementos rodoviários da América Latina.

Datas de referência da chegada da família ou da fundação do primeiro negócio. A galeria seguirá crescendo com novas histórias.

Guia da Itália

As 20 regiões italianas

A capital, o prato típico e o lugar que não pode faltar no roteiro de quem vai conhecer a terra dos antepassados.

Luiz Scarpelli, bisneto do imigrante calabrês Antônio Scarpelli
Luiz Scarpelli · bisneto de Antônio Scarpelli
Calábria · Celico · Província de Cosenza

De Celico, a origem de uma família

Uma pequena comuna nas encostas da Sila, a poucos quilômetros de Cosenza, na ponta da bota italiana.

Celico guarda casas de pedra, igrejas antigas e a memória de um filho ilustre: Joaquim de Fiore, o abade e pensador medieval que Dante colocou no Paraíso da Divina Comédia. Abaixo dela, Cosenza, a cidade dos Brúzios, conserva o centro histórico no alto da colina e a lenda do rei Alarico, sepultado com seu tesouro no leito do rio Busento.

Foi em Celico que nasceu, em 1872, Antônio Scarpelli, filho de Michele Scarpelli e de Cecília Santoro. Daquela aldeia da Calábria partiu a história da família Scarpelli no Brasil.

1872
Antônio ScarpelliNasceu em Celico, na província de Cosenza. Chegou ao Brasil ainda criança, com a mãe, e aqui fundou a família Scarpelli. Bisavô do advogado Luiz Scarpelli.
A família Scarpelli no Brasil

A força das mulheres

Em cada geração, quando a família parecia perdida, foi uma mulher que a manteve de pé.

Trisavó · Calábria

Cecília Santoro

Ficou viúva ainda jovem, com um filho pequeno. Criou o menino sozinha e atravessou o oceano com ele para recomeçar a vida no Brasil.

Bisavó · Brasil

Filomena Puonzuolo

Perdeu o marido cedo e ficou sozinha com doze crianças. Criou todos os filhos com o próprio esforço e manteve a família unida.

Avó · Minas Gerais

Zenith Marra

Professora, não aceitou que os filhos trocassem a escola pelo balcão. Dessa decisão saíram um médico, um engenheiro, um economista e uma advogada.

“Se não fosse por elas, a nossa família não estaria aqui hoje, forte como é.”

Luiz Scarpelli

Cinco gerações, da Calábria a Minas Gerais

  1. Trisavós · Itália

    Michele Scarpelli e Cecília Santoro

    Viveram em Celico, na Calábria. Michele morreu na Itália, e Cecília trouxe o filho pequeno para o Brasil.

  2. Bisavós · 1872

    Antônio Scarpelli e Filomena Puonzuolo

    Antônio nasceu em Celico em 1872 e chegou ao Brasil ainda menino. Viúvo do primeiro casamento, casou-se com Filomena e morreu com pouco mais de quarenta anos, deixando doze filhos. Entre eles, Geraldo.

  3. Avós

    Geraldo Scarpelli e Zenith Marra

    Geraldo vendeu verduras de porta em porta, trabalhou no mercado e foi relojoeiro. Zenith fez da educação a herança da família: os filhos se formaram, e os dezessete netos chegaram ao ensino superior.

  4. Mãe · 1947

    Maria Lúcia Scarpelli

    Advogada, nascida em 1947, fruto direto da aposta da mãe na educação.

  5. 1973

    Luiz Gustavo Scarpelli dos Santos Reis

    Conhecido profissionalmente como Luiz Scarpelli. Advogado no Brasil e na Itália, fundador do Tutela Iure Sanguinis.

Sobrenomes italianos da família: Scarpelli · Santoro · Puonzuolo

O resgate das origens

Quando um documento devolve uma história

Por trás de cada certidão antiga existe uma família que atravessou o mar.

O que significa iure sanguinis

A expressão latina quer dizer "pelo direito de sangue". É o princípio pelo qual a cidadania italiana se transmite de pais para filhos, independentemente do lugar de nascimento. Durante mais de um século, foi ele que permitiu a milhões de descendentes no exterior ter reconhecido um vínculo que nunca deixou de existir.

Reencontrar esse vínculo exige paciência: localizar a certidão de batismo do antepassado na paróquia ou na comune de origem, reconstruir as gerações com certidões brasileiras, corrigir nomes grafados de formas diferentes ao longo de cem anos.

Uma trajetória dedicada às raízes

Advogado no Brasil e na Itália, Luiz Scarpelli esteve entre os primeiros a levar ao Tribunal de Roma, em 2018, as ações de reconhecimento da cidadania pela via judicial. Ao longo de dez anos, acompanhou de perto famílias que resgataram documentos, histórias e laços com a terra dos seus bisavós.

Este site nasce dessa experiência, com outro propósito: preservar a memória da imigração italiana e contá-la a quem quiser conhecer de onde veio.

Historia vero testis temporum, lux veritatis, vita memoriae, magistra vitae.

A história é testemunha dos tempos, luz da verdade, vida da memória, mestra da vida.

Cícero · De Oratore